Fora uma tarde quente, e eu e Ela gozávamos numa esplanada os últimos raios do Sol que já mordia o poente. Ela é linda. Naquela tarde não tive olhos para mais nada, tirando a rapariga da mesa do lado, a empregada muito decotada, e um estranho objecto voador que deslindei no céu.
“Que é aquilo no céu? É um pássaro? Será Dédalo? Será o Super-Homem?” questionei-me maravilhado. O estranho objecto pareceu aperceber-se do meu fascínio e começou a acercar-se de mim. Continuei: “Tendo em conta a velocidade a que se move e a envergadura dos seus apêndices laterais, decerto será um urubu ou um grifo.” (sim, eu exprimo-me sempre de maneira bastante ridícula).
“Ah não, é apenas um avião. Quem diria, um avião…”.
Sei que aquando da idealização deste blog, prometi nunca referir ou fazer piadas sobre o holocausto, o apartheid, aviões azuis e o Boavista Futebol Clube (apesar de neste ultimo caso ser muito, muito fácil), mas terei de quebrar essa regra só por esta vez. Era um fantástico avião azul, célere como um trovão e ágil como uma lebre. Observei as suas acrobacias durante largos minutos, hipnotizado e boquiaberto como um miúdo na sua primeira ida ao circo.
Meia hora mais tarde o espectáculo terminara e ainda ali me encontrava, babado e com um novo sonho: “quando for grande quero ser o gajo que lava estes aviões depois dos espectáculos!”.
Ganhara um novo sonho, mas perdera-A. Ela, aborrecida com a minha total entrega ao ás dos ares, partira enamorada nos braços da empregada decotada.
“Raios...Ao menos tenho um sonho!”…
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Death from above
“Lá está ele, todo aperaltado e perfumado. Odeio o sacana!”, pensei.
Sentado o observava e detestava. Detesto-o; a ele e a tudo que representa. Abomino-o desde miúdo, mas com o tempo o meu ódio parece tornar-se cada vez mais fundamentado.
Raramente me exalto, mas a sua presença revela o meu lado mais negro. Irrequieto, procuro disfarçadamente uma faca ou qualquer outro objecto cortante. Nada. Sem duvida que Deus gosta mais dele do que de mim.
“Que cara de carneiro mal morto. Espero que morras, bastardo.”, murmurei.
O sacana fitava-me também, e o ódio incendiava-lhe o olhar igualmente. O jogo de olhares tornara-se numa batalha fervorosa. Agora era matar ou ser morto.
Já de mangas arregaçadas, a face escarlate e empunhando um aguçado lápis, levantei-me de rompante, determinado a desferir-lhe um ataque fatal.
Ao levantar-me, uma forte tontura acordou-me para a realidade. “Raios! Tenho que tirar este espelho do quarto. Isto está a tornar-se doentio…”
Sentado o observava e detestava. Detesto-o; a ele e a tudo que representa. Abomino-o desde miúdo, mas com o tempo o meu ódio parece tornar-se cada vez mais fundamentado.
Raramente me exalto, mas a sua presença revela o meu lado mais negro. Irrequieto, procuro disfarçadamente uma faca ou qualquer outro objecto cortante. Nada. Sem duvida que Deus gosta mais dele do que de mim.
“Que cara de carneiro mal morto. Espero que morras, bastardo.”, murmurei.
O sacana fitava-me também, e o ódio incendiava-lhe o olhar igualmente. O jogo de olhares tornara-se numa batalha fervorosa. Agora era matar ou ser morto.
Já de mangas arregaçadas, a face escarlate e empunhando um aguçado lápis, levantei-me de rompante, determinado a desferir-lhe um ataque fatal.
Ao levantar-me, uma forte tontura acordou-me para a realidade. “Raios! Tenho que tirar este espelho do quarto. Isto está a tornar-se doentio…”
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Frenético
Exaustivamente entediante. Assim fora o meu dia, e de rastos me encontrava.
Queria dormir, mas não via como. De novo a locomotiva dos sonhos partira e me deixara para trás…
Não tinha dinheiro, logo não podia adormecer como de costume, abraçado ao álcool e coberto por barbitúricos. Ia ter que ser à maneira antiga: deitado numa cama, de olhos fechados e sem espumar pela boca.
O leito estava gelado, e a noite adivinhava-se tormentosa. Tudo me importunava: a mais ténue luz cegava-me, e todos os barulhos me ensurdeciam. Até a minha respiração me incomodava. Juro que estive para parar de respirar, não trouxesse tal acto chatas consequências…
No escuro reparei no canto de umas rolas que se haviam acercado do meu prédio. Quão suspeito me soava tal som...
Foi então que pela primeira vez me congratulei por ser um inveterado cinéfilo. Lembrei-me que nos filmes mais realistas (Força Delta 1 e 2, Senhor dos Anéis, Robocop, entre outros…), todos os vilões, quando escondidos nas sombras, reproduziam na perfeição o canto de rolas, de maneira a indicar aos seus companheiros que chegara o momento de "atacar”.
Tal lembrança fizera-me despertar gelado. “Alguém me vai atacar. Vou ser brutalmente assassinado por bandidos de pala no olho, pernas de pau, e sotaque germânico.” (sim, a minha definição de “assassino” é um pouco romântica). “Têm decerto como objectivo roubar as minhas valiosas bandas desenhadas. Os sacanas…”
Frenético e já com uma faca na mão, pensei: “É desta…vou morrer!”.
Foi então que nova ideia me trespassou: “Ou isso, ou são só rolas…Bem, vou dormir.”
Queria dormir, mas não via como. De novo a locomotiva dos sonhos partira e me deixara para trás…
Não tinha dinheiro, logo não podia adormecer como de costume, abraçado ao álcool e coberto por barbitúricos. Ia ter que ser à maneira antiga: deitado numa cama, de olhos fechados e sem espumar pela boca.
O leito estava gelado, e a noite adivinhava-se tormentosa. Tudo me importunava: a mais ténue luz cegava-me, e todos os barulhos me ensurdeciam. Até a minha respiração me incomodava. Juro que estive para parar de respirar, não trouxesse tal acto chatas consequências…
No escuro reparei no canto de umas rolas que se haviam acercado do meu prédio. Quão suspeito me soava tal som...
Foi então que pela primeira vez me congratulei por ser um inveterado cinéfilo. Lembrei-me que nos filmes mais realistas (Força Delta 1 e 2, Senhor dos Anéis, Robocop, entre outros…), todos os vilões, quando escondidos nas sombras, reproduziam na perfeição o canto de rolas, de maneira a indicar aos seus companheiros que chegara o momento de "atacar”.
Tal lembrança fizera-me despertar gelado. “Alguém me vai atacar. Vou ser brutalmente assassinado por bandidos de pala no olho, pernas de pau, e sotaque germânico.” (sim, a minha definição de “assassino” é um pouco romântica). “Têm decerto como objectivo roubar as minhas valiosas bandas desenhadas. Os sacanas…”
Frenético e já com uma faca na mão, pensei: “É desta…vou morrer!”.
Foi então que nova ideia me trespassou: “Ou isso, ou são só rolas…Bem, vou dormir.”
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Reunions
O Tempo é sacana. Torna-nos frios e cinzentos, revelou o MacGyver obsoleto e ridículo, e leva-nos a desejar relembrar pessoas e momentos do passado. Assim, Deus criou as “reuniões de velhos colegas e amigos”.
Há dias encontrava-me em frente ao meu guarda-roupa, procurando o que melhor vestir num destes reencontros. Apesar de informal, a ocasião exigia uma certa elegância e bom gosto. No fundo, o verdadeiro propósito destas reuniões é ver como os outros vão afinal, e ninguém se quer revelar como o low-life sem namorada nem emprego, coleccionador de action figures do Dragon Ball, e ainda adepto de anedotas envolvendo as palavras “xixi”,“cocó” e “otorrinolaringologia”. Por fim, entre sedas, veludos e muitas lantejoulas, deslindei a indumentária perfeita.
Com 20 minutos de atraso (não me quis mostrar desesperado!), entrei no restaurante combinado. Estavam todos iguais! O Fábio continuava a preferir a meia branca ás restantes, a Sónia continuava a mais bela, e a Susana continuava sozinha no fundo da sala…
O chapéu de cowboy e as botas com esporas revelaram-se bastante desconfortáveis, logo cedo abanquei junto ao bar. Nisto vi o Marco, antigo playboy e atleta de eleição da turma, agora preso a uma cadeira de rodas e com um farfalhudo bigode.
“Então Marco, como é que isso aconteceu?”, perguntei espantado. O tempo fora nefasto sobre ele.
“Pah, cai do cavalo a jogar pólo.”, respondeu.
“Não meu, referia-me ao bigode. Como é que isso aconteceu pah? Já não estamos nos anos 80, sabias? Diz-me, alguma vez viste o Saddam acompanhado por uma bela mulher? Ah pois! Acho que não preciso dizer mais nada…”
Há dias encontrava-me em frente ao meu guarda-roupa, procurando o que melhor vestir num destes reencontros. Apesar de informal, a ocasião exigia uma certa elegância e bom gosto. No fundo, o verdadeiro propósito destas reuniões é ver como os outros vão afinal, e ninguém se quer revelar como o low-life sem namorada nem emprego, coleccionador de action figures do Dragon Ball, e ainda adepto de anedotas envolvendo as palavras “xixi”,“cocó” e “otorrinolaringologia”. Por fim, entre sedas, veludos e muitas lantejoulas, deslindei a indumentária perfeita.
Com 20 minutos de atraso (não me quis mostrar desesperado!), entrei no restaurante combinado. Estavam todos iguais! O Fábio continuava a preferir a meia branca ás restantes, a Sónia continuava a mais bela, e a Susana continuava sozinha no fundo da sala…
O chapéu de cowboy e as botas com esporas revelaram-se bastante desconfortáveis, logo cedo abanquei junto ao bar. Nisto vi o Marco, antigo playboy e atleta de eleição da turma, agora preso a uma cadeira de rodas e com um farfalhudo bigode.
“Então Marco, como é que isso aconteceu?”, perguntei espantado. O tempo fora nefasto sobre ele.
“Pah, cai do cavalo a jogar pólo.”, respondeu.
“Não meu, referia-me ao bigode. Como é que isso aconteceu pah? Já não estamos nos anos 80, sabias? Diz-me, alguma vez viste o Saddam acompanhado por uma bela mulher? Ah pois! Acho que não preciso dizer mais nada…”
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
O outro
- Acredita, nunca mais vou com ele a lado algum. Não é que eu goste de ser o centro das atenções, mas quando estou com ele parece que me torno invisível…Ninguém dá por mim.
- Também não é preciso reagires dessa maneira. Sabes que ele sempre foi assim. Algo excêntrico, colorido, cheio de vida…Dá-lhe um desconto.
- Mas a sério, irrita-me. O pessoal adora-o! Devias ver a quantidade de números de raparigas que ele saca quando vamos sair. E as crianças? Sempre que o vêem fazem uma festa e não o largam…
- Mas Guilherme, ele não o faz por mal. Nasceu assim. Acho um pouco injusto e estúpido uma amizade como a vossa terminar só porque toda a gente o adora.
- Mas não percebes que enquanto eu não me vir livre dele vou ser sempre “o outro”! Se estiver com ele, posso gritar “tenho fantasias sexuais com a minha avó!” em plena baixa que ninguém olha para mim. Acredita, nunca mais ando com o Poupas na rua. Acabou…
- Também não é preciso reagires dessa maneira. Sabes que ele sempre foi assim. Algo excêntrico, colorido, cheio de vida…Dá-lhe um desconto.
- Mas a sério, irrita-me. O pessoal adora-o! Devias ver a quantidade de números de raparigas que ele saca quando vamos sair. E as crianças? Sempre que o vêem fazem uma festa e não o largam…
- Mas Guilherme, ele não o faz por mal. Nasceu assim. Acho um pouco injusto e estúpido uma amizade como a vossa terminar só porque toda a gente o adora.
- Mas não percebes que enquanto eu não me vir livre dele vou ser sempre “o outro”! Se estiver com ele, posso gritar “tenho fantasias sexuais com a minha avó!” em plena baixa que ninguém olha para mim. Acredita, nunca mais ando com o Poupas na rua. Acabou…
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Amor, Parte2: Desenganos
A lua ia alto, e o calor convidava a um mergulho. Ali, sozinho junto ao mar, mergulhei num Martini…
Saída da bruma, mui galharda donzela de mim se acercou. O negro profundo do seu olhar deixava adivinhar uma qualquer exótica naturalidade, e o vermelho do seu vestido dava-lhe um ar de deusa hindu.
Canela, jasmim, lilás, e outras tantas fragrâncias lhe deslindei no aroma. Sei que corro o risco de plagiador ser intitulado, mas não resisto a afirmar: ela cheirava ao que os anjos decerto cheirarão.
Hipnotizado, com grande deleite acompanhei todos os seus passos na minha direcção. Encarnada, toda ela era fogo; a seu lado, todas as outras eram meras estátuas do mais gélido mármore.
Agrilhoado pela sua desarmante beleza, imobilizado a esperei, e enfim os seus imaculados lábios se descerraram: “Tens lume?”
Ela falou-me…
“Não tenho, desculpa. Sabes, não devias fumar. Fumar mata. A probabilidade de um fumador contrair cancro pulmonar é dez vezes superior à de um não-fumador. Sabias também que a pobreza e o tabagismo estão estritamente ligados? Em vez de desperdiçado em tabaco, todo esse dinheiro podia ser investido em bens essenciais, bens de produção…Também o analfabetismo e iliteracia estão estritamente…”
Estupefacta e algo temerosa, virou-me as costas.
“O quê que eu fiz?!?”…
Saída da bruma, mui galharda donzela de mim se acercou. O negro profundo do seu olhar deixava adivinhar uma qualquer exótica naturalidade, e o vermelho do seu vestido dava-lhe um ar de deusa hindu.
Canela, jasmim, lilás, e outras tantas fragrâncias lhe deslindei no aroma. Sei que corro o risco de plagiador ser intitulado, mas não resisto a afirmar: ela cheirava ao que os anjos decerto cheirarão.
Hipnotizado, com grande deleite acompanhei todos os seus passos na minha direcção. Encarnada, toda ela era fogo; a seu lado, todas as outras eram meras estátuas do mais gélido mármore.
Agrilhoado pela sua desarmante beleza, imobilizado a esperei, e enfim os seus imaculados lábios se descerraram: “Tens lume?”
Ela falou-me…
“Não tenho, desculpa. Sabes, não devias fumar. Fumar mata. A probabilidade de um fumador contrair cancro pulmonar é dez vezes superior à de um não-fumador. Sabias também que a pobreza e o tabagismo estão estritamente ligados? Em vez de desperdiçado em tabaco, todo esse dinheiro podia ser investido em bens essenciais, bens de produção…Também o analfabetismo e iliteracia estão estritamente…”
Estupefacta e algo temerosa, virou-me as costas.
“O quê que eu fiz?!?”…
domingo, 5 de agosto de 2007
O Medo
Palhaços, fundamentalistas, ciganos, soldados nazis, ou palhaços fundamentalistas de raça cigana que são soldados nazis nos tempos livres; nenhum destes me causa mais temor que seres extraterrestres.
Desde os tempos de gaiato que temo seres alienígenas, as suas gigantescas naves, e as suas garridas e cintilantes vestes que parecem saídas de um qualquer show no Moulin Rouge.
Sempre temi de noite ser raptado do meu quente leito, e ser transportado para uma gelada nave onde não teria piões ou berlindes para brincar, tendo de me contentar com entediantes aparelhos de teletransporte, e canhões de raios Gamma.
Mas o que sempre me causou mais temor foram os inevitáveis exames a que seria sujeito. Aquando da introdução da perfurante sonda na minha coluna vertical, os esguios e gélidos dedos daqueles sacaninhas decerto me deixariam arrepiado, e só Deus sabe como detesto ficar arrepiado.
É que abomino mesmo...
Desde os tempos de gaiato que temo seres alienígenas, as suas gigantescas naves, e as suas garridas e cintilantes vestes que parecem saídas de um qualquer show no Moulin Rouge.
Sempre temi de noite ser raptado do meu quente leito, e ser transportado para uma gelada nave onde não teria piões ou berlindes para brincar, tendo de me contentar com entediantes aparelhos de teletransporte, e canhões de raios Gamma.
Mas o que sempre me causou mais temor foram os inevitáveis exames a que seria sujeito. Aquando da introdução da perfurante sonda na minha coluna vertical, os esguios e gélidos dedos daqueles sacaninhas decerto me deixariam arrepiado, e só Deus sabe como detesto ficar arrepiado.
É que abomino mesmo...
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Dias do fim
Agora que importunei a Igreja Católica, sinto o meu derradeiro dia cada vez mais próximo. Sei o perigo eminente.
De noite adormeço com o revólver debaixo da almofada, e na rua uso sempre duas t-shirts, não vá alguém disparar contra mim.
Os e-mails hostis acumulam-se, e muitas vezes já nem os leio. É cansativo, desencorajador e temeroso! Mais do que nunca, como te percebo agora Paulo Portas.
Sentindo aproximar-se o toque frio da morte, decidi “organizar a minha vida” (expressão que na gíria dos moribundos significa “reatar relações destruídas pelo tempo, pedir desculpa a quem o merece, e agredir violentamente todos aqueles que nos importunaram toda a vida”), e realizar o meu grande desejo de infância: fazer uma viagem ao meu destino de sonho.
Escritas as minhas memórias e preparada a bagagem, despedir-me-ei dos meus, da minha casa e da minha terra, e partirei na minha derradeira viagem, decidido a não voltar.
Algés, aqui vou eu!
De noite adormeço com o revólver debaixo da almofada, e na rua uso sempre duas t-shirts, não vá alguém disparar contra mim.
Os e-mails hostis acumulam-se, e muitas vezes já nem os leio. É cansativo, desencorajador e temeroso! Mais do que nunca, como te percebo agora Paulo Portas.
Sentindo aproximar-se o toque frio da morte, decidi “organizar a minha vida” (expressão que na gíria dos moribundos significa “reatar relações destruídas pelo tempo, pedir desculpa a quem o merece, e agredir violentamente todos aqueles que nos importunaram toda a vida”), e realizar o meu grande desejo de infância: fazer uma viagem ao meu destino de sonho.
Escritas as minhas memórias e preparada a bagagem, despedir-me-ei dos meus, da minha casa e da minha terra, e partirei na minha derradeira viagem, decidido a não voltar.
Algés, aqui vou eu!
segunda-feira, 30 de julho de 2007
No café
Num café à beira mar plantado, acompanhava um amigo que me acompanhava o Martini. Não havia assunto de conversa, mas nem por isso deixamos de conversar. Devaneamos.
Devaneamos e fizemos comentários acerca daquelas que por nós passavam.
“Belo cabelo o daquela! Com tons de ouro e avelã. Uma fada.”, disse.
“Aqui o papá dizia-lhe.” – acompanhou o meu amigo - “Primeiro untava-a, depois…”.
O seu comentário continuou, e apesar de em tom bem mais brejeiro que o meu, não menos sincero era. Ele untá-la-ia mesmo.
E assim, com os olhos acompanhávamos a travessia no areal daquelas que por nós passavam, até que as perdia por detrás das longas barbas do meu amigo sentado a meu lado.
“Jesus, já cortavas essa barba! A sério, não vejo nada.”
Devaneamos e fizemos comentários acerca daquelas que por nós passavam.
“Belo cabelo o daquela! Com tons de ouro e avelã. Uma fada.”, disse.
“Aqui o papá dizia-lhe.” – acompanhou o meu amigo - “Primeiro untava-a, depois…”.
O seu comentário continuou, e apesar de em tom bem mais brejeiro que o meu, não menos sincero era. Ele untá-la-ia mesmo.
E assim, com os olhos acompanhávamos a travessia no areal daquelas que por nós passavam, até que as perdia por detrás das longas barbas do meu amigo sentado a meu lado.
“Jesus, já cortavas essa barba! A sério, não vejo nada.”
domingo, 29 de julho de 2007
Um dia no Paraiso
10 horas da manhã e eu ás portas do Paraíso. Cansado, caminho lentamente na direcção de S. Pedro, que sentado atrás da sua secretária lê o 24 horas. Gordo e velho, nem dá pela minha chegada.
“O meu dinheiro Pedro?”, perguntei. O pobre sacana pedira-me 30 contos para a entrada de um apartamento aquando do seu 2º divórcio, e “esquecido” ainda não mos devolvera. “Ahh, olá Manel! Desculpa-me…a sério desculpa-me, mas ainda não o tenho! Sabes como é: a escola dos miúdos tá cara, mais os remédios pa asma do meu mais velho…”. O pobre coitado nem mentir sabia. Gasta tudo que lhe cai no bolso em tascos e em casas de má fama, e todos o sabem.
Envergonhado e cada vez mais encarnado, deixou-me entrar sem fazer perguntas. “Não me vais obrigar a castigar-te pois não? Tens um mês.” disse, despedindo-me.
Já no Paraíso, avisto o imponente Deus sentado num banco de jardim, de frente para um belíssimo lago repleto de todas as aves e peixes que o Homem conhece e conhecerá. Ao seu lado repousa um rádio, irradiando uma estridente e irritante música.
“Espera, tas a ouvir Tony Carreira?!?”, perguntei estupefacto. “Porque não? – retorquiu – o gajo tem boas baladas, com uma sonoridade calma mas moderna, recheadas de uma subtil mensagem amorosa. Simplesmente excelente!”.
“O teu filho sabe disto? Que diz ele de tudo isto?” rematei. “Tou-me a borrifar para esse hippie insolente mais a sua opinião…Mas diz-me lá, que fazes aqui hoje?”.
Irado respondi, “Não acredito que te esqueceste! Tinhamos combinado jogar badminton hoje ás 10:30! Fogo Deus, és sempre a mesma coisa...”
“O meu dinheiro Pedro?”, perguntei. O pobre sacana pedira-me 30 contos para a entrada de um apartamento aquando do seu 2º divórcio, e “esquecido” ainda não mos devolvera. “Ahh, olá Manel! Desculpa-me…a sério desculpa-me, mas ainda não o tenho! Sabes como é: a escola dos miúdos tá cara, mais os remédios pa asma do meu mais velho…”. O pobre coitado nem mentir sabia. Gasta tudo que lhe cai no bolso em tascos e em casas de má fama, e todos o sabem.
Envergonhado e cada vez mais encarnado, deixou-me entrar sem fazer perguntas. “Não me vais obrigar a castigar-te pois não? Tens um mês.” disse, despedindo-me.
Já no Paraíso, avisto o imponente Deus sentado num banco de jardim, de frente para um belíssimo lago repleto de todas as aves e peixes que o Homem conhece e conhecerá. Ao seu lado repousa um rádio, irradiando uma estridente e irritante música.
“Espera, tas a ouvir Tony Carreira?!?”, perguntei estupefacto. “Porque não? – retorquiu – o gajo tem boas baladas, com uma sonoridade calma mas moderna, recheadas de uma subtil mensagem amorosa. Simplesmente excelente!”.
“O teu filho sabe disto? Que diz ele de tudo isto?” rematei. “Tou-me a borrifar para esse hippie insolente mais a sua opinião…Mas diz-me lá, que fazes aqui hoje?”.
Irado respondi, “Não acredito que te esqueceste! Tinhamos combinado jogar badminton hoje ás 10:30! Fogo Deus, és sempre a mesma coisa...”
sábado, 28 de julho de 2007
Má sorte
Sou provavelmente a pessoa mais azarada do Mundo.
Apercebi-me disso muito cedo, e continuo a sabê-lo. Por isso não vou a casinos, e não faço acrobacias em cima da asa de um avião em pleno voo e em chamas…pode correr mal.
Colecciono inúmeras azaradas façanhas, como cair de um monte abaixo, ter deslocado o braço umas cinco vezes no mesmo dia, e ter dois pés esquerdos…Mas é no Amor que tenho menos sorte. Em blind dates os meus pares são sempre caçadores de ursos sem uma perna, e no dia-a-dia estou proibido de me aproximar de mulheres em prédios altos, pois é habitual elas atirarem-se das janelas.
Já tentei de tudo para afastar esta má sorte: ando com uma pata de coelho ao pescoço, tenho sempre dentes de alho no bolso esquerdo (o que pensando bem, se calhar explica o meu azar no Amor), e carrego no bolso direito um porta-chaves da campanha de Mário Soares ás presidenciais de 1986, onde se lê “Soares é fixe!”.
Mas nada parece resultar…
Apercebi-me disso muito cedo, e continuo a sabê-lo. Por isso não vou a casinos, e não faço acrobacias em cima da asa de um avião em pleno voo e em chamas…pode correr mal.
Colecciono inúmeras azaradas façanhas, como cair de um monte abaixo, ter deslocado o braço umas cinco vezes no mesmo dia, e ter dois pés esquerdos…Mas é no Amor que tenho menos sorte. Em blind dates os meus pares são sempre caçadores de ursos sem uma perna, e no dia-a-dia estou proibido de me aproximar de mulheres em prédios altos, pois é habitual elas atirarem-se das janelas.
Já tentei de tudo para afastar esta má sorte: ando com uma pata de coelho ao pescoço, tenho sempre dentes de alho no bolso esquerdo (o que pensando bem, se calhar explica o meu azar no Amor), e carrego no bolso direito um porta-chaves da campanha de Mário Soares ás presidenciais de 1986, onde se lê “Soares é fixe!”.
Mas nada parece resultar…
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Ostracismo
Cliché ou não, o futebol tem grande peso na vida de quase todos os rapazes, principalmente na infância. È portanto fácil adivinhar, quão triste e solitária a minha foi.
Desde cedo me votaram ao ostracismo, quando, na altura de escolher as equipas, me deixavam para ultimo a escolher. E, não satisfeitos com o facto de me terem nomeado “ovelha negra” do grupo, ainda ouvia comentários do género: “O Guilherme fará parceria comigo?!? Fogo meu, prefiro ver as minhas costas despedaçadas por dezenas de vis e atrozes abutres, a ter tão cruel destino!” (sim, os meus amigos são bastante eloquentes.)
Durante anos fui perseguido pela rejeição, muitas vezes sem de todo a compreender. Aliás, nem era dos piores atletas. Claro que não chegava aos calcanhares do Jorge, do Diogo, ou do Fábio, aquele ciganinho cego e sem uma perna; mas também não era o pior…
Até que há dias cheguei à possível resposta para tal rejeição.
Lembrei-me que, aquando do início das partidas, era usual todos nós escolhermos um jogador que “seríamos” durante o jogo. Uns “eram” o Figo, outros o Beckham, outros o Ronaldo…Eu escolhia sempre o Marcelo Rebelo de Sousa.
Se calhar deve-se a isso…
Desde cedo me votaram ao ostracismo, quando, na altura de escolher as equipas, me deixavam para ultimo a escolher. E, não satisfeitos com o facto de me terem nomeado “ovelha negra” do grupo, ainda ouvia comentários do género: “O Guilherme fará parceria comigo?!? Fogo meu, prefiro ver as minhas costas despedaçadas por dezenas de vis e atrozes abutres, a ter tão cruel destino!” (sim, os meus amigos são bastante eloquentes.)
Durante anos fui perseguido pela rejeição, muitas vezes sem de todo a compreender. Aliás, nem era dos piores atletas. Claro que não chegava aos calcanhares do Jorge, do Diogo, ou do Fábio, aquele ciganinho cego e sem uma perna; mas também não era o pior…
Até que há dias cheguei à possível resposta para tal rejeição.
Lembrei-me que, aquando do início das partidas, era usual todos nós escolhermos um jogador que “seríamos” durante o jogo. Uns “eram” o Figo, outros o Beckham, outros o Ronaldo…Eu escolhia sempre o Marcelo Rebelo de Sousa.
Se calhar deve-se a isso…
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Odeio-te
Sempre me avisaram para ter cuidado contigo. Sempre me avisaram que acabaria a chorar.
Os anos passaram e não quis acreditar…agora sei-o verdade.
Pensando melhor, não te odeio…
A culpa é minha. Aproximei-me demais; usei-te demais…
Mas não me arrependo de nada. Sempre fui meigo; sempre fui terno contigo. Quando te tocava, quando te despia…
Bem lá no fundo, adorei todos os momentos que passei contigo.
Sempre deste sabor à minha vida. Sempre deste novo aroma à minha existência. Adorava a tua fragrância na minha roupa…
…ou não!
De novo pensando melhor, odeio-te cebola.
Os anos passaram e não quis acreditar…agora sei-o verdade.
Pensando melhor, não te odeio…
A culpa é minha. Aproximei-me demais; usei-te demais…
Mas não me arrependo de nada. Sempre fui meigo; sempre fui terno contigo. Quando te tocava, quando te despia…
Bem lá no fundo, adorei todos os momentos que passei contigo.
Sempre deste sabor à minha vida. Sempre deste novo aroma à minha existência. Adorava a tua fragrância na minha roupa…
…ou não!
De novo pensando melhor, odeio-te cebola.
domingo, 22 de julho de 2007
Amor, Parte1: Triângulos Amorosos
A noite era quente e convidava a sair, mas o dia tinha sido exaustivo e as pernas pesavam. Concordamos ficar em casa dela, ter um bom jantar e ver um bom filme.
Eu, ela, e um bom filme; o plano adivinhava-se perfeito, nunca eu prevendo o que me esperaria com o passar das horas.
Preparamos o jantar, acompanhando-o com um bom vinho. Passamos horas à mesa, falando, rindo, e usando todo o nosso escárnio contra aqueles de quem não gostamos.
Por fim levantamos a mesa e fomos para a sala. As velas incendiavam o ar, tornando o ambiente mais convidativo, mais romântico. O filme tinha que ser perfeito…
Escolhemos o Robocop.
O serão foi perfeito, durando quase até ao primeiro raiar do sol. Foi então que mais tarde, já no leito, tudo se desmoronou. Ela disse o nome, o nome dele.
Das profundezas do seu sono (sonho?) gritou o nome do “outro”. “Emil…Emil” gritou, e mais três vezes o fez.
Não a acordei, não o quis. Estava magoado, confuso como um animal ferido, mas sobretudo envergonhado. Não era mais uma paixoneta ou traição, era bem pior do que isso. Ela apaixonara-se pelo Emil, aquele gajo mau do Robocop.
A vergonha consumia-me. Ninguém gosta de ser trocado por outro, muito menos por alguém que no final do filme morre todo derretido e atropelado.
Tinha que sair, tinha que a esquecer. Vesti-me, peguei na carteira, e deixei-lhe os 40€ que tínhamos acordado. Adeus…
Eu, ela, e um bom filme; o plano adivinhava-se perfeito, nunca eu prevendo o que me esperaria com o passar das horas.
Preparamos o jantar, acompanhando-o com um bom vinho. Passamos horas à mesa, falando, rindo, e usando todo o nosso escárnio contra aqueles de quem não gostamos.
Por fim levantamos a mesa e fomos para a sala. As velas incendiavam o ar, tornando o ambiente mais convidativo, mais romântico. O filme tinha que ser perfeito…
Escolhemos o Robocop.
O serão foi perfeito, durando quase até ao primeiro raiar do sol. Foi então que mais tarde, já no leito, tudo se desmoronou. Ela disse o nome, o nome dele.
Das profundezas do seu sono (sonho?) gritou o nome do “outro”. “Emil…Emil” gritou, e mais três vezes o fez.
Não a acordei, não o quis. Estava magoado, confuso como um animal ferido, mas sobretudo envergonhado. Não era mais uma paixoneta ou traição, era bem pior do que isso. Ela apaixonara-se pelo Emil, aquele gajo mau do Robocop.
A vergonha consumia-me. Ninguém gosta de ser trocado por outro, muito menos por alguém que no final do filme morre todo derretido e atropelado.
Tinha que sair, tinha que a esquecer. Vesti-me, peguei na carteira, e deixei-lhe os 40€ que tínhamos acordado. Adeus…
sábado, 21 de julho de 2007
Playmobil
Há dias percebi porque, numa quente tarde do verão de 96, jurei a mim mesmo nunca mais usar caveadas.
Este verão comprei uma caveada, e assim que o tempo o proporcionou, sai à rua com ela. Após duas horas de entediante estadia ao sol, voltei para casa, apenas para presenciar um espectáculo macabro. Já não era monocromático. Tornara-me algo idêntico a um qualquer gelado, meio de baunilha, meio de morango. Pior, tornara-me num Playmobil…
Sim, assemelhava-me a um Playmobil. Como estes, tinha agora uma definida linha separadora entre os braços e o tronco. E o pior é que se fosse um Playmobil seria defeituoso: tinha os braços escarlates, e o tronco alvo. Decerto acabaria como oferta a uma qualquer obra social, onde um qualquer gaiato trocaria o meu cabelo castanho por um capacete de construtor civil. Fetiches…
Mas no fim, o meu mais recente escaldão não me trouxe apenas dissabores e problemas, revelou-se até bastante útil. Reparei que, visto a linha que separa os meus braços do meu tronco ser tão perfeita, se algum dia tiver um acidente, o cirurgião não terá problemas em saber por onde amputar o meu braço.
Este verão comprei uma caveada, e assim que o tempo o proporcionou, sai à rua com ela. Após duas horas de entediante estadia ao sol, voltei para casa, apenas para presenciar um espectáculo macabro. Já não era monocromático. Tornara-me algo idêntico a um qualquer gelado, meio de baunilha, meio de morango. Pior, tornara-me num Playmobil…
Sim, assemelhava-me a um Playmobil. Como estes, tinha agora uma definida linha separadora entre os braços e o tronco. E o pior é que se fosse um Playmobil seria defeituoso: tinha os braços escarlates, e o tronco alvo. Decerto acabaria como oferta a uma qualquer obra social, onde um qualquer gaiato trocaria o meu cabelo castanho por um capacete de construtor civil. Fetiches…
Mas no fim, o meu mais recente escaldão não me trouxe apenas dissabores e problemas, revelou-se até bastante útil. Reparei que, visto a linha que separa os meus braços do meu tronco ser tão perfeita, se algum dia tiver um acidente, o cirurgião não terá problemas em saber por onde amputar o meu braço.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Reset
Tarde de verão, e pouco para fazer. Tinha acabado de medir a altura da parede do meu quarto com os polegares (para os mais curiosos, são 124 polegadas) e de novo me entregara ao tédio.
Do nada, como se de intervenção divina se tratasse, deparei-me com a solução. Lembrei-me de ver todas as palavras procuradas no motor de busca da Internet (Google no caso) do computador cá de casa.
Comecei pelo fim do alfabeto e nada de surpresas: “Vicky o Viking”, “MacGyver”, e “girls with see-through underwear” constavam na lista, como adivinhava.
Quando já chegava ao início do alfabeto (a minha meta) e julgava a minha família sã e funcional, deparei-me com algo que não esperava: “espetadas de atum”!
Sim, “espetadas de atum”! Alguém procurara “espetadas de atum” no Google, não sei se com o intuito de obter uma pouco credível receita, ou uma ridícula fotografia.
Somente estúpido...estúpido demais até para os meus parâmetros.
A ideia fulminou-me; precisava de uma lavagem cerebral. Precisava de fazer “reset” a toda e qualquer actividade mental.
Felizmente, e como qualquer Doutor de bom nome mo aconselharia, pude contar com a minha TV, delegando a tarefa à fabulosa programação das tardes da televisão portuguesa.
Do nada, como se de intervenção divina se tratasse, deparei-me com a solução. Lembrei-me de ver todas as palavras procuradas no motor de busca da Internet (Google no caso) do computador cá de casa.
Comecei pelo fim do alfabeto e nada de surpresas: “Vicky o Viking”, “MacGyver”, e “girls with see-through underwear” constavam na lista, como adivinhava.
Quando já chegava ao início do alfabeto (a minha meta) e julgava a minha família sã e funcional, deparei-me com algo que não esperava: “espetadas de atum”!
Sim, “espetadas de atum”! Alguém procurara “espetadas de atum” no Google, não sei se com o intuito de obter uma pouco credível receita, ou uma ridícula fotografia.
Somente estúpido...estúpido demais até para os meus parâmetros.
A ideia fulminou-me; precisava de uma lavagem cerebral. Precisava de fazer “reset” a toda e qualquer actividade mental.
Felizmente, e como qualquer Doutor de bom nome mo aconselharia, pude contar com a minha TV, delegando a tarefa à fabulosa programação das tardes da televisão portuguesa.
sábado, 14 de julho de 2007
Obrigado
Obrigado por estares lá sempre que precisei.
Tenho saudades tuas, do teu toque frio, metálico, que sempre me despertou nos momentos mais difíceis.
Guiaste-me. Cintilavas no escuro, mostrando-me o caminho por trevas e incerteza.
Olho para ti, e depois de tanto tempo ainda me revejo. Vejo em ti o meu reflexo. Gostava de ser forte como tu…
O mundo sem ti não o é. É uma anarquia. Eras a minha Lei. A minha Ordem.
Os anos passam e não perco a esperança de te ver de novo.
Volta. Volta por mim, por nós...
Obrigado Robocop.
Tenho saudades tuas, do teu toque frio, metálico, que sempre me despertou nos momentos mais difíceis.
Guiaste-me. Cintilavas no escuro, mostrando-me o caminho por trevas e incerteza.
Olho para ti, e depois de tanto tempo ainda me revejo. Vejo em ti o meu reflexo. Gostava de ser forte como tu…
O mundo sem ti não o é. É uma anarquia. Eras a minha Lei. A minha Ordem.
Os anos passam e não perco a esperança de te ver de novo.
Volta. Volta por mim, por nós...
Obrigado Robocop.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
168
Horas. As horas passaram e o blog já tem uma semana.
Uma semana e 12 mails depois, julgo ter a vida em risco.
11 dos mails eram manifestações de puro ódio, o outro dizia apenas “Sr. Artur, temos o prazer de o informar que já recebemos os sapatos de golfe que encomendou. SportZone Norteshopping”.
Os 11 mails que não se enganaram na caixa de correio eram muito ricos e diversos, sintáctica e gramaticalmente, pois todos tocavam no mesmo assunto. “Odeio-te Guilherme. Talvez te mate esta noite.”, lia-se num. “Você é execrável. Vou criar uma personagem no Sims com o seu nome, para que depois possa mata-la à fome!”, li noutro.
Queria desde já agradecer a todos aqueles que me escreveram, pois são vocês que me dão força e ânimo para continuar, e que fazem com que todos os dias, antes de sair de casa, me despeça da minha família como se fosse a ultima vez.
Uma semana e 12 mails depois, julgo ter a vida em risco.
11 dos mails eram manifestações de puro ódio, o outro dizia apenas “Sr. Artur, temos o prazer de o informar que já recebemos os sapatos de golfe que encomendou. SportZone Norteshopping”.
Os 11 mails que não se enganaram na caixa de correio eram muito ricos e diversos, sintáctica e gramaticalmente, pois todos tocavam no mesmo assunto. “Odeio-te Guilherme. Talvez te mate esta noite.”, lia-se num. “Você é execrável. Vou criar uma personagem no Sims com o seu nome, para que depois possa mata-la à fome!”, li noutro.
Queria desde já agradecer a todos aqueles que me escreveram, pois são vocês que me dão força e ânimo para continuar, e que fazem com que todos os dias, antes de sair de casa, me despeça da minha família como se fosse a ultima vez.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Marvellous life
Ou muito me engano ou todos os rapazes, quando catraios, julgam ter super-poderes que mais tarde se virão a manifestar. Imaginamos vir a ser os primeiros verdadeiros super-heróis, que iremos ser famosos, e que teremos ruidosas hostes de fãs por todo o mundo.
Mas cedo abandonei tal ideia. Não encaixava no padrão do típico super-herói: proveniente de uma família pobre; humilde e honesto; o melhor aluno da turma, sempre alvo do gozo e agressões dos restantes colegas…Enfim, um inadaptado.
Ainda tentei preencher tais requisitos. Por razões óbvias abandonada a ideia de ser o melhor aluno da turma, investi na inadaptação exterior. Comecei a vestir-me com estilos e cores berrantes, e a falar de uma forma esquisita e por vezes indecifrável.
Como por obra do destino, ou de um ente superior que não me deseja bem, nessa semana estreou os “Morangos com açúcar”. Num ápice, tal indumentária, estilo e conduta passaram a ser não só normais, como “fixes”.
Abandonei de vez a ideia. “De facto, qual seria o meu super-poder?”, pensei. Ter uma capacidade sobre-humana de trocar os olhos, pareceu-me a mais provável e única resposta possível.
Mas imobilizar e mortificar os inimigos da lei com tal poder adivinhou-se difícil…
Fica para a outra vida.
Mas cedo abandonei tal ideia. Não encaixava no padrão do típico super-herói: proveniente de uma família pobre; humilde e honesto; o melhor aluno da turma, sempre alvo do gozo e agressões dos restantes colegas…Enfim, um inadaptado.
Ainda tentei preencher tais requisitos. Por razões óbvias abandonada a ideia de ser o melhor aluno da turma, investi na inadaptação exterior. Comecei a vestir-me com estilos e cores berrantes, e a falar de uma forma esquisita e por vezes indecifrável.
Como por obra do destino, ou de um ente superior que não me deseja bem, nessa semana estreou os “Morangos com açúcar”. Num ápice, tal indumentária, estilo e conduta passaram a ser não só normais, como “fixes”.
Abandonei de vez a ideia. “De facto, qual seria o meu super-poder?”, pensei. Ter uma capacidade sobre-humana de trocar os olhos, pareceu-me a mais provável e única resposta possível.
Mas imobilizar e mortificar os inimigos da lei com tal poder adivinhou-se difícil…
Fica para a outra vida.
terça-feira, 10 de julho de 2007
'Non', ou a vã glória de rir
Desde os tempos em que gatinhava que ouço dizer que rir é a cura para todos os males, e até para todas as mazelas (lembro-me, de repente, de certa vez uma vizinha minha, pobre velha, me tentar convencer que uma irmã sua vira o seu braço recentemente amputado, “renascer” como se de magia se tratasse, após duas horas de riso intenso. Isto imediatamente antes de me perguntar se tinha visto o seu caranguejo gigante de estimação, o Armindo).
Ao fim de 19 anos de incessante estudo empírico do assunto, posso afirmar que tal é falso. Nunca rir salvou alguém de uma desgraça ou da nemésica Morte.
E digo-o com fundamento. Muitas vezes, em situações de desesperante angústia e/ou perigo iminente, optei pelo riso como tentativa de “salvação”, e devo dizer que sempre vi os meus objectivos acabarem longe de logrados.
Foi o caso quando, certa vez, fui abordado por dois indivíduos mal intencionados, e em que não só acabei sem o telemóvel, como sem dois dentes e um bom bocado da minha já pouca auto-estima.
Outra vez, em casa de uma namorada, optei pelo uso de um sorriso na hora de dar uma triste noticia à minha cara-metade. “Acho que paralisei a tua avó da cintura para baixo.”, disse. “Acho que lhe dei um pontapé nas costas e ela agora está-se a queixar que não sente as pernas…”. O meu sorriso não só não atenuou a minha "pena", como a agravou. Resultado: tive de mudar de casa e deixar crescer um pouco desejado bigode.
É por isso que com toda a certeza afirmo, qual eminente cientista, que rir não só não é a cura e resolução para todos os males, mas como de facto é a causa e soma de todos os males e pantominices.
Ao fim de 19 anos de incessante estudo empírico do assunto, posso afirmar que tal é falso. Nunca rir salvou alguém de uma desgraça ou da nemésica Morte.
E digo-o com fundamento. Muitas vezes, em situações de desesperante angústia e/ou perigo iminente, optei pelo riso como tentativa de “salvação”, e devo dizer que sempre vi os meus objectivos acabarem longe de logrados.
Foi o caso quando, certa vez, fui abordado por dois indivíduos mal intencionados, e em que não só acabei sem o telemóvel, como sem dois dentes e um bom bocado da minha já pouca auto-estima.
Outra vez, em casa de uma namorada, optei pelo uso de um sorriso na hora de dar uma triste noticia à minha cara-metade. “Acho que paralisei a tua avó da cintura para baixo.”, disse. “Acho que lhe dei um pontapé nas costas e ela agora está-se a queixar que não sente as pernas…”. O meu sorriso não só não atenuou a minha "pena", como a agravou. Resultado: tive de mudar de casa e deixar crescer um pouco desejado bigode.
É por isso que com toda a certeza afirmo, qual eminente cientista, que rir não só não é a cura e resolução para todos os males, mas como de facto é a causa e soma de todos os males e pantominices.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Quem és tu, e porque me dói tanto a cabeça?
Há dias acordei com uma terrível dor de cabeça.
Assim que consegui abrir os olhos deparei-me com um vulto junto à minha cama. Segundos depois o processo de focagem estava completo, e consegui vislumbrar um homem dos seus 30 anos, de longas barbas e olhos profundos, que me fitava com ar sério.
Perplexo perguntei “Quem és tu, e porque me dói tanto a cabeça?”.
Calmamente e sem nunca deixar de me fitar, retorquiu: “Sou Ele. Sou o Sol, a Terra, e todo o vácuo. Sou a Justiça, a Lei, o amor e o ódio. Sou a guerra, sou a paz. Sou tudo e sou nada.”
Fiquei estupefacto. O choque pareceu aumentar a minha dor de cabeça. Continuou:
“Ou isso ou sou um cigano chamado Carlos que te acabou de drogar com o intuito de te roubar um rim.”
Desmaiei por fim. Acordei horas mais tarde, 180 gramas mais leve…
Assim que consegui abrir os olhos deparei-me com um vulto junto à minha cama. Segundos depois o processo de focagem estava completo, e consegui vislumbrar um homem dos seus 30 anos, de longas barbas e olhos profundos, que me fitava com ar sério.
Perplexo perguntei “Quem és tu, e porque me dói tanto a cabeça?”.
Calmamente e sem nunca deixar de me fitar, retorquiu: “Sou Ele. Sou o Sol, a Terra, e todo o vácuo. Sou a Justiça, a Lei, o amor e o ódio. Sou a guerra, sou a paz. Sou tudo e sou nada.”
Fiquei estupefacto. O choque pareceu aumentar a minha dor de cabeça. Continuou:
“Ou isso ou sou um cigano chamado Carlos que te acabou de drogar com o intuito de te roubar um rim.”
Desmaiei por fim. Acordei horas mais tarde, 180 gramas mais leve…
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Nota introdutória
As pessoas com quem conversei aquando da idealização deste blog, quando se lhes era apresentado o titulo, retorquiam: "Porquê tangerina?". Bem, a resposta é simples: na altura pareceu-me boa ideia.
Adoro esta resposta. Serve para tudo: "Porque calcaste a cabeça ao Miguel? - Na altura pareceu-me boa ideia!"...É escassa, eu sei, um pouco dúbia talvez, mas acima de tudo é sincera e a mais pura das verdades.
Mas é verdade também que estou farto de blogs com nomes presumivelmente abruptos e cáusticos, logo optei por algo mais simples e modesto: um banal e pouco desejado citrino.
Sim "pouco desejado". Não conheço ninguém que à pergunta "Que te apetece MESMO comer agora?" respondesse "Uma tangerina". Talvez uma laranja, uma maça, uma alheira, mas nunca uma tangerina.
A escolha deste nome deve-se também ao facto de já existir um blog com o titulo "Girls with see-through underwear"...
Quanto ao tema, este não existe. Usarei este blog para dar corpo digital aos meus mais variados devaneios.
Por fim, "der mandarine" significa "a tangerina" em alemão, e foi este o endereço escolhido para este blog pelo facto de "tangerina.blogspot.com" já existir. É pena, mas a lingua dos boches até que não é tão má.
Adoro esta resposta. Serve para tudo: "Porque calcaste a cabeça ao Miguel? - Na altura pareceu-me boa ideia!"...É escassa, eu sei, um pouco dúbia talvez, mas acima de tudo é sincera e a mais pura das verdades.
Mas é verdade também que estou farto de blogs com nomes presumivelmente abruptos e cáusticos, logo optei por algo mais simples e modesto: um banal e pouco desejado citrino.
Sim "pouco desejado". Não conheço ninguém que à pergunta "Que te apetece MESMO comer agora?" respondesse "Uma tangerina". Talvez uma laranja, uma maça, uma alheira, mas nunca uma tangerina.
A escolha deste nome deve-se também ao facto de já existir um blog com o titulo "Girls with see-through underwear"...
Quanto ao tema, este não existe. Usarei este blog para dar corpo digital aos meus mais variados devaneios.
Por fim, "der mandarine" significa "a tangerina" em alemão, e foi este o endereço escolhido para este blog pelo facto de "tangerina.blogspot.com" já existir. É pena, mas a lingua dos boches até que não é tão má.
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